Conceito:
Aceita-se normalmente, em termos de definição, o princípio de que os jogos populares valem como forma de passatempo, descanso, recreio e divertimento. Parece-nos, contudo, que por trás deles houve sempre e há ainda um sentido estético e pedagógico que informa todas as atividades culturais das nossas gentes rurais. Atente-se, a título de exemplo, no que se passa com o teatro popular, ainda vivo nos autos populares em cena aqui ou ali com infeliz irregularidade; atente-se no que se passa com as festas dos rapazes em algumas aldeias da Lombada ou ainda com as festas do ramo no Natal, com os reis, com a serra das velhas, etc.
Inerente à função recreativa, encontramos na origem e desenvolvimento dos jogos a preocupação de transmitir aos mais novos determinados conhecimentos e formas de vida que constituem o saber coletivo. Por outro lado, encontramos também a preocupação de exceder a execução dos companheiros/adversários, na tentativa de vencê-los em feitos e de suplantá-los na admiração e reconhecimento coletivos. Assim se sentia e vivia o jogo em épocas não muito remotas em que ele fazia parte do dia a dia das nossas comunidades rurais - divertimento e treino para os trabalhos ou para as necessidades da vida, competição consigo próprio e com os outros, numa tentativa de ultrapassar os feitos e a memória passados e de se perpetuar no futuro.
Os nossos jogos são uma riqueza cultural grande que precisa ser conhecida e preservada. Pensamos que a cultura é vida e, como tal, compete-nos a todos mantê-la viva. Os jogos, como elemento da nossa cultura, têm de manter-se vivos também e de fazer parte do nosso quotidiano, com um calendário próprio e adequado ao seu caráter e ao nosso quotidiano moderno.
Jogo da Raiola
Joga-se em muitas localidades do Nordeste, mas com mais assiduidade e de forma mais genuína em Freixo de Espada à Cinta (e parte sul do distrito), pois nesta vila só é permitido jogar com moedas de D. Carlos e D. Luís, o que não acontece nas outras localidades.
Terreno: Liso, de preferência em terra, ao ar livre ou coberto.
Participantes: O número de jogadores pode variar de dois a oito, jogando-se individualmente ou por equipas, conforme se trate de dois ou mais. Na falta de um elemento para completar a equipa, pode um dos jogadores jogar com duas moedas, correspondendo assim à falta de um parceiro.
Material: Uma moeda para cada jogador (xx REIS D. Carlos ou D. Luís), uma raia no chão - de comprimento variável (50 a 80 cm) com duas semicircunferências nas extremidades e o reto (zona de lançamento) a uma distância variável da raia (3 a 5 metros).
Desenvolvimento: O jogo acaba aos 30 tentos, divididos em 15 mais e 15 bons. Podem ganhar-se 1,2,3,6,9,12 e 15 tentos, ou até todo o jogo duma só jogada, conforme a disputa dos jogadores.
Ganha quem colocar a moeda na raia ou mais perto dela.
Cada jogador tem um fito ou fita (pedra de granito redonda, retangular ou quadrada, com uma espessura de 2 a 2,5 cm e com um peso variável entre 500 a 1000 gramas).
Fundamentos: para que se tenha um bom desenvolvimento ao jogar a raiola é preciso ter uma noção básica da própria força, ter noção de espaço e manter a calma.
Corrida de Sacos
A corrida de sacos é uma prova pedestre de resistência, em que os concorrentes cobrem uma determinada distância (consoante o escalão etário) introduzidos num saco até à cintura.
Participantes: A prova pode ser individual ou por equipas.
Disposição inicial: O percurso é determinado pelo júri. Ganha o que primeiro ultrapassar a linha da meta.
Desenvolvimento: O objectivo é percorrer a distância indicada no mais curto espaço de tempo. Para se deslocarem, devem segurar o saco com as duas mãos. O concorrente que sair de dentro do saco durante o percurso, será desclassificado. Se a prova for por equipas, será a equipa também desclassificada. Se for por equipas, será vencedora a equipa que obtiver o maior número de pontos resultantes do somatório dos seus componentes.
Material: Sacos, de preferência em serapilheira.
Fundamentos: esse jogo testo no jogadores a resistência com o objetivo de desenvolver a agilidade.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
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